Aula 3

março 27, 2009

Falamos dos capítulos do livro Transparency in Global Change The Vanguard of the Open Society”, de Holzner, Burkart e Holzner, Leslie e direcionamos nossa explicação para o conceito do Grande Irmão personagem do livro 1984 de George Orwell. Usamos o conceito de Grande Irmão em contraposição ao conceito de Sociedade Aberta.

Na sociedade do Grande Irmão havia transparência no sentido dos cidadãos para o Grande Irmão, que, com o acesso as informações de todos, podia controlar a sociedade inclusive gerando informação não baseada na realidade.

Sobre essa questão falei do tupla <fato, informação, comunicação> como tratada por Sá Carvalho em seu livro Análise de Sistemas: O Outro Lado da Informática. Aqui mencionei que a preocupação com a verdade é pouco presente na modelagem de software.

No entanto, o Herbet lembrou bem que no é central a preocupação que a informação seja validada em relação a realidade (fatos). Falei então da diferença entre a preocupação com qualidade e a preocupação com a verdade.

O tema da aula foram os capítulos 1 e 4 do livro de Holzner.
Creio que a discussão foi proveitosa e ajudou a entendermos mais sobre essa visão de transparência num sentindo mais global.

Faço uma citação direta do Capítulo 1, que ressalta o tema principal do livro:

Nevertheless, even though transparency is assuming a growing role in
transnational affairs, it occurs in a world still dominated by opacity and
many domains of secrecy, especially in many developing countries and military states. Not only governments, but also corporations and professions that try to evade the rising norms of transparency lose the trust of the public and pay dearly in attempts to regain it. Centers of power must deal with the fact that many of the information norms regarding public access to knowledge are changing away from secrecy toward transparency. It is not a tranquil phenomenon: it is a contentious social force. Above all, the right to know, and the duty to disclose, are grounded in trust. The transparency movement is a response to uncertainty and distrust. Like all social transformations, this one creates instability and takes place on a cultural battlefield. Therefore, it is important to understand its dynamics
.”

Aqui fica clara a importância dos conceitos qualitativos de segredo e opacidade e como eles interagem com o conceito geral de transparência.

O capítulo 4 chama a atenção para três pontos importantes:

1) O entendimento dos autores sobre a dinâmica da moral, influenciada pelas mudanças nas redes de solidariedade.
2) A “arquitetura “ proposta é na verdade baseada em dicotomias de valores e contra-partidas ou contra-valores. Estão em interação os conceitos de privacidade, autonomia, responsabilidade (assinar em baixo – “accountability”), segredo e lealdade, que serão traduzidos em deveres e responsabilidades e poderão estar em normas legais ou voluntárias. Para isso é necessário combater a opacidade através de estruturas de informação onde os “fluxos de informação” sejam criados, guardados, distribuídos, e entendidos. Para tratar desse “conhecimento” é indispensável uma infra-estrutura técnica, regulatória e legal. As prioridades ou as interpretações dessa infra-estrutura são balizadas pelo contexto moral, portanto dependentes do ambiente onde se aplicam.
3) O papel relevante do segredo nas sociedades.

Sobre o ponto 2 acima, comentamos em sala que a visão das ciências sociais sobre sistematização é bem diferente da visão da computação. Em computação não seria próprio chamar a proposta de “arquitetura”, face a pouca sistematização apresentada.

Os autores deixam claro a essencialidade da dinâmica de valores-contra-partidas. Vale lembrar que esses conceitos não só afetam uns aos outros como podem ser percebidos de maneira distinta. Isso remete a idéia advogada por Hebert Simon sobre o conceito de “satisfice” no lugar de “satisfy”, aliais um dos fundamentos da visão do grupo de Toronto sobre requisitos não-funcionais.

Para a próxima aula, leremos os Capítulos 3, 4,e 5 do livro “ Corporate Truth: The Limits to Transparency” de Adrian Henriques, Editora Earthscan, Londres, 2007 (está na biblioteca). Em particular seria interessante contrapor com o artigo apontado pela Elizabeth sobre governança.

Vejam abaixo um resumo feito pelo Eduardo Almentero.

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One Response to “Aula 3”

  1. Elizabeth Suescun Monsalve Says:

    O enfoque da leitura baseada em transparência, onde uma sociedade demanda verdade e informações abertas, alem disso, as conseqüências da mesma são refletidas em a saúde, mercados, governança e segurança. Porem, a transparência também implica aprender coisas que enxergamos para melhora de nossos próprios erros.
    Os autores expõem a idéia de “sociedade aberta” a qual se remonta ao ano 1795 onde Emmanuel Kant fala de este conceito implicitamente na sua obra, ou no ano de 1948 com a declaração dos direitos humanos. Mas também teve seus inimigos como Plato, Hegel e Marx, os quais eram favoráveis ao tema do comunismo. Esta idéia de sociedade aberta vem sendo adotadas por países como Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, os quais são países com uma imperfeita aproximação mais também estão longe de serem sociedades fechadas.
    Na aula tratamos o tema de informação e como ela faz parte do poder, alusivos a este tópico abordar-se-á o assunto tratado no livro 1984, de George Orwell, onde um estado totalitário se encarrega de manipular a informação e os pensamentos dos indivíduos de essa sociedade se vem influenciados pela informação que é distribuída pelo “Big Brother”, alem disso, falamos sobre a informação e como ela tem que ser baseada em fatos. Fatos que alguém pode dar ou deu veracidade, é por isso que ninguém discute na teoria da informação a informação é verdadeira o não, no livro 1984 a informação que é distribuída não é baseada em fatos, simplesmente é baseado no que ele, o Big Brother, presume que deve ser informado à sociedade.
    A informação tem que ser baseada em fatos verídicos, quanto à cultura e distancias geográficas, porem ela é ambivalente pois tem que ser aberta e privada ou secreta e transparente. Neste ponto falamos sobre enciclopédia Britânica e Wikipédia e como essa ultima vai ganhando força ainda sabendo que não tem uma informação tão verídica é confiável como a primeira. Segundo a Wikipédia representada dentro de uma sociedade aberta, possui indivíduos que se encarregam de validar e verificar a informação, também, se esta tentando criar grupos de revisores por tópicos que se encarreguem de esta revisão.
    Fatos históricos notassem pela falta de transparência alguns dos quais são: os ataques do 11 de setembro, o escândalo da presidência de Nixon, a guerra de Vietnã e a recente crise econômica, as pirâmides, escutas telefônicas. Surge a questão: “A sociedade tem se que preparar ao direito à transparência, ou seja, ela tem que madurecer”. Levando com isso o ideal de sociedade aberta com uma democracia avançada. Dita transparência também estende os centros de autoridade ou poder, cidadãos, clientes e consumidores devem proporcionar informação valida, ou seja, a transparência não é suficiente, precisasse de informação de qualidade e de fácil entendimento. Também a adoção de códigos de conduta, ou seja, que os cidadãos tenham um alto grão de responsabilidade para com a sociedade na qual interagem, como também é preciso de protocolos de informação.
    O conhecimento da transparência pode ser obtido do analise de mudanças nas normas de informação ou valores na cultura da informação, necessidades e demandas. Estas mudanças podem dar se pelos câmbios de identidade e moralidade. Neste ponto foi possível identificar como as redes sociais impactaram bastante na sociedade, mesmo que seus criadores não acharam a penetração no mercado que iam ter.
    Na era moderna onde estamos cheios de violência, insegurança e medo, têm-se que analisar e entender a relação entre cultura da informação e secreto. Pois secreto é forte em matéria de secreto nacional e transparência na parte de legitimidade. É uma fronteira bem sutil, pois uma sociedade secreta não pode ser democrática, onde temos também liberdade individual e deveres de estado. O secreto também possibilita aos indivíduos e grupos para manipular e controlar seus ambientes, controlando o acesso à informação própria. Novamente falamos de redes sociais onde se pode ter certo controle da informação que se disponibiliza ali. Alem de falar sobre segredo falamos sobre como a transparência também inclui a privacidade, e como esta ajuda na proteção dos indivíduos. Ou seja, respeitar a autonomia do individuo. Também falamos sobre a opacidade como o oposto a transparência e como uma condição social sim informação disponível, ou informação inexistente.
    Por ultimo, se falou sobre a arquitetura conceitual da informação desde a visão dos autores do livro, nesta parte gostaria de citar a seguinte frase a qual acho muito interessante pois resume em parte o tratado na aula com respeito ao tema de sociedade aberta e informação “Information flows can be possible only if information is created, stored, distribuited and undertood; this requires knowlegde capacity and tecnical, regulatory, and legal frameworks”.


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